COMO INFORMAR O VALOR DA OBRA AO CLIENTE?

Normalmente a principal informação que o cliente deseja do arquiteto ou possível construtor de sua obra é: QUANTO VAI CUSTAR!!!!

Sabendo da importância que essa informação tem para o cliente, separamos a seguir três formas de apresentar ao cliente os custos previstos para a obra, de acordo com as informações disponíveis.

 

1 –  Orçamento Paramétrico com base no CUB/m² (Custo Unitário Básico por m²).

 

O Orçamento Paramétrico é uma estimativa de custos utilizada normalmente quando o cliente ainda não possui todos os projetos executivos mas quer ter uma ideia de custo da obra. Ele se baseia em indicadores e índices, analisando históricos de obras passadas que sejam similares e estimativas para estudos de viabilidade de obras.

Devido a utilização de informações ainda preliminares, sua margem de erro é mais elevada, podendo girar entre 10 e 20% para mais ou menos.

 

O Orçamento Paramétrico usa como  referência de custo/m² do CUB.

O CUB/m² é um indicador monetário que mostra o custo básico para a construção civil. Seu objetivo principal é disciplinar o mercado de incorporação imobiliária, servindo como parâmetro na determinação dos custos do setor da construção civil. Sua atualização é de responsabilidade dos Sindicatos da Indústria da Construção Civil e ele é separado por projetos-padrão representativos: residenciais (R1,PP4,R8,PIS,R16), comerciais (CAL8, CSL8 e CSL16), galpão industrial (GI) e residência popular (RP1Q), conforme tabela do lado.

 

 

Para elaborar o Orçamento Paramétrico é necessário ter a área a ser construída e o padrão de construção. 

Além disso é primordial lembrar que o CUB não quantifica: projetos, muros, lucro da construtora, equipamentos eletroeletrônicos, contenções, fundações e impostos. Cabe ao profissional que está fazendo a estimativa levantar também estes custos.

 

#Dica 01: De negócios: A Estimativa com base no CUB em muitos casos é considerada uma etapa do projeto, sendo assim pode ser vendida como uma consultoria, que irá auxiliar o cliente para montar um plano de ação em relação às suas necessidades.

 

#Dica 02: De Custos: Uma estimativa baseada no CUB tem baixa precisão de valores, não devendo ser utilizada para contratação de serviços.

 

2 – Estudo de viabilidade Financeira (EVF)

 

Como o próprio nome indica trata-se de um estudo, uma estimativa de custos e não um orçamento detalhado. 

O EVF deve ser entendido como uma ferramenta de gestão, uma etapa do processo. É a etapa onde você mostrará ao cliente se o sonho dele e o projeto proposto estão de acordo com a disponibilidade financeira que ele tem.

 

Para gerar o estudo são necessárias informações como um anteprojeto de arquitetura  e noções básicas de acabamentos, como por exemplo: tipos de revestimento, marcenarias, louças e metais, iluminação, dentre outros. E apesar de ser um estudo, é de suma importância incluir todas as etapas que serão necessárias, chegando assim a uma ordem de grandeza coerente, para análise. 

 

Uma consideração relevante é que levantamentos de custos feitos com base em Projetos Legais (projetos arquitetônicos utilizados para aprovação na prefeitura), também são considerados estudos de viabilidade financeira.

 

Por serem utilizadas informações preliminares, algumas alterações podem ocorrer durante o processo, porém a elaboração do EVF  é um excelente meio para mostrar ao parceiro autor de projetos e/ou ao cliente final, quanto custará a execução daquela obra.

 

Outro benefício importante desta etapa é a possibilidade de fazer o projeto caber no bolso do cliente, através de análises e alterações que não descaracterizem o projeto proposto e o sonho idealizado. Além disso a margem de tende a diminuir para 5 a 10%, se compararmos com os custos levantados no orçamento Paramétrico

 

3 – ORÇAMENTO EXECUTIVO

 

O orçamento executivo é aquele no qual não se faz nenhum tipo de estimativa!

Para elaborar um orçamento executivo, os projetos arquitetônicos e complementares precisam estar compatibilizados e é com base neste orçamento que será possível saber quanto vai custar, de fato, a obra. 

 

#Dica 03: De negócios: O orçamento de obras é um serviço e deve ser feito por profissionais que tenham domínio do assunto.

 

É primordial pensar de forma executiva para elaborar o orçamento executivo, analisar as etapas, necessidades e impactos da obra. É importante lembrar que esse orçamento será a base para sua obra e não simplesmente um amontoado de preços.

 

Para construir um orçamento executivo assertivo e claro, tanto para o cliente, quanto para o construtor (caso não seja você mesmo) podemos ter como base as seguinte etapas:

3.1) Estudo do projeto e das condições locais

É primordial sentar, analisar, estudar, tirar dúvidas com os autores do projeto e também entender quais são as características do canteiro de obras.

Nunca pare de estudar o projeto se ainda não tiver entendido tudo!

 

3.2) Lista de serviços e composições

Elaborar a lista de serviços e composições de forma detalhada em relação aos itens estudados no projeto, nos mínimos  detalhes para não esquecer de nenhum serviço que precisa ser orçado e, claro, executado.

Nessa etapa você contará a história da obra, passo a passo, timtim por timtim.

 

3.3) Levantamento de Quantitativos

Levantar as quantidades de cada serviço  e materiais de acordo com a unidade de medida que o mesmo será orçado.

 

3.4) Cotações

As cotações de serviços e materiais precisam ser reais, você não pode se prender a cotações de tabelas (SINAPI, TCPO, etc.). 

Além disso é importante mais de uma cotação por item (03 é uma quantidade mínima para comparação), assim você se certifica que aquele valor realmente está dentro do mercado e justo para o seu cliente pagar.

 

3.5) Planilha de orçamento

Na planilha de orçamentos você irá vincular todas as informações levantadas até aqui: lista de serviços, quantitativos e preços!

É nela também que são informados os custos indiretos (aqueles que não estão diretamente apresentados no custo de cada serviço) como por exemplo: honorários, lucros, deslocamentos, dentre outros.

Quanto mais detalhada for sua planilha mais fácil será para seu cliente entender o processo da obra dele e também mais confiança ele tará no que está sendo proposto fazer.

Ao final dessa etapa, com o orçamento finalizado, é o momento do cliente ficar seguro que ele vai poder avançar com a obra dentro das expectativas.

 

Após a validação com o cliente é hora de seguir para o planejamento da obra, onde serão definidos prazos de execução, formas de desembolso, fornecedores e prestadores de serviço.